quarta-feira, 25 de março de 2009

Expiração

Na última semana, meu post no outro blog ( www.criativesse.blogspot.com) falava do aperto que me toma a alma quando a inspiração me foge e preciso fazer-me escrava não mais das palavras, mas da dor de não tê-las sob meu domínio. Uma amiga comentou que talvez aquele momento fugaz da não inspiração nada mais fosse do que a pausa para a expiração. Silenciosa e serena como a solidão, não raras vezes, se expressa.
Curiosamente, o tema da inspiração fugidia me cercou em dias seguidos. Não mais com os meus textos, os profissionais, emocionais ou confessionais, mas com os textos que li, dos autores que gosto, dos blogs que frequento e admiro. Revi essa angústia nos textos do Marcelo Martins, do Amenidades, a quem admiro pelo relato, pela forma, pelo conteúdo; nas palavras complexas e tocantes da Camila Tebet, do Esse Papo Também; na coluna semanal da Martha Medeiros na
Revista O Globo, no domingo, leitura que não perco e que preenche minhas manhãs cheirando a café; e também em alguns saborosos trechos do imperdível A Soma dos Dias, de Isabel Allende, alma repleta da sabedoria de viver, pungente e bem-humorada, as dores que as pedras impõem ao nosso caminho.

Pensei na coincidência, mas especialmente na argumentação de minha amiga. Estamos todos expirando? Renovando os ares, limpando os canos, abrindo os chacras, desimpedindo as chaminés? É bom pensar que sim. Esses períodos sabáticos sempre me são pródigos, mesmo quando me sinto afogar pelas palavras. Nessas horas respiro devagarzinho, poupo os órgãos, os gestos grandiloquentes. Nem sempre é tempo dos grandes e profundos mergulhos. Quem sabe uma molhadinha rápida na beira d'água; quem sabe um subida fugaz para pegar um ar.
Somos escravos da palavra, mas feitores também. A gente sempre coloca tudo em ordem. Seja a ordem do jeito que for.

terça-feira, 3 de março de 2009

A força dos atos e palavras

Os que me conhecem já ouviram falar disso. Sou do tipo que acredita realmente que é possível mudar o mundo. Eu posso mudar o mundo e não desisto dessa idéia. Ideologias à parte, acho que somos agentes de transformação e que não recebemos a benção de um cérebro tão sofisticado apenas para andar, falar, interagir, envelhecer e morrer. Quero mais! Muito mais! E na parte que me cabe, não posso prescindir da força inequívoca de meus atos e palavras - e não só os meus, mas o de todos - no objetivo de fazê-los instrumentos de interferência e argumentação. Acho que posso mudar cabeças tacanhas, fazendo-as apenas observar além dos antolhos que por vezes colocamos em nós mesmos. Quero romper com práticas que minimalizam a nossa capacidade de raciocinar, impondo modelos repetidos e que, de maneira geral, sempre nos frustram. Busco e distribuo palavras de afeto - às vezes nem tão afetuosas assim - porque fazer alguém confiante é o primeiro passo para fazê-lo acreditar que sonhar é mais do que dormir e metaforizar no subconsciente. Não raras vezes estou na contramão da história, batendo de frente com quem alimenta o imobilismo, aprisionado aos grilhões de uma vida metodicamente ditatorial.É claro que muitas vezes também não estou fazendo nada disso e preciso me despertar para voltar a acreditar que posso mudar o mundo, que sou responsável pelo o que me incomoda e que para desestabilizar as zonas de conforto é necessário enfrentar os recuos que o medo da mudança nos impõe.Não quero desistir disso, de acreditar nisso. Não quero me render ao imobilismo. Não quero ficar somente pragmática. Porque sem emoção não há como mudar o mundo. Somos cavaleiros errantes a crer em moinhos. E nem acho tudo isso um delírio. Não posso passar essa experiência de vida sem usar as mil e uma utilidades de meu cinto de Batman.Se isso tem ônus? Muitos. Às vezes, quase impagáveis. Mas já faz tempo que escolhi não esmorecer. Quando acho que não vou agüentar, fecho a porta e choro. E amargo o luto. Mas no dia seguinte volto à normalidade. O que não quer dizer que tudo isso seja o normal. Nem sei se é. Mas, quando ainda estudante universitária, aprendi a frase que guia a minha vida: quem não atua, compactua.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Me faz melhor

Às vezes me sinto tão boba, tão infantil. Principalmente quando perco a métrica dos meus passos e, serena ou trôpega, dou importância e essencialidade ao que realmente não tem tanto valor. E até sofro, busco explicações, me sinto meio mártir, meio vítima.
Mas hoje realmente decidi relembrar para mim mesmo que Importante é sempre o que me faz melhor.
E nem me importo que assim o seja numa ótica completamente universal, fora dos meus conceitos pessoais e auto-perdoáveis.
Me faz melhor quem me ama e vê em mim o que nem sempre posso compreender ou perceber. Me faz melhor o que me inspira o instante tênue e bom do prazer.
Me faz melhor o que parece inatingível e que, ocasionalmente, se descortina ao meu olhar.
Me faz melhor quem me oferece a visão do que me escondo.
Me faz melhor acreditar que posso, mesmo quando a impotência é a única mão próxima.
Me faz melhor um dia de sol, sentir o luar, uma tarde sob a brisa, o abraço dos filhos, a compreensão do amor, a benção do raciocínio, a rapidez do instinto, o cheiro que reconheço, o sabor que traz lembranças, a certeza tão pequena e tão grande do amanhã

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Criative-se

Nunca pensei em fazer nada que não fôsse a profissão que exerço. Sempre quis ser jornalista e, dentro da carreira, já atravessei períodos solares e lunares. Escrevi de textos sobre economia à vida mundana das celebridades. Fui repórter, redatora, coordenadora editorial e nos últimos quatro anos sou gerente editorial de uma editora científica. Aliás, para os que não sabem, informo que faço há muitos anos jornalismo científico. 90% dos clientes da editora onde trabalho são empresas do segmento farmacêutico e seus projetos dirigidos à classe médica.
Ainda assim escrevo muito. No blog e no mundo real. Neste, obviamente, nem sempre com prazer ou mesmo inspiração. Ah...vale informar que acumulo a gerência comercial também, o que me leva não apenas ao mundo dos números, mas também para o da rentabilidade, juros, movimentação bancária, investimento, empréstimo.....grana, enfim.
Assim, como boa parte da população brasileira, passeio entre a realização e a necessidade financeira. Pessoal e da empresa também. E nesse liquidificador de emoções, que mistura o desejo do cliente, o palpite do cliente, o desconhecimento do cliente e a minha visão do projeto, do texto, do conceito editorial....nem sempre navego em águas calmas, muito menos com o delicioso sentimento da realização.
Foi pensando em tudo isso, e querendo voltar a viver o sonho social-libertário do ofício só pelo bem e o prazer do ofício, que pensei num espaço virtual onde estivessem reunidas pessoas que, como eu, gostariam de encontrar um espaço onde pudessem criar - e divulgar - o que fazem e sem a preocupação de fazer disso um caminho para ganhar dinheiro. Embora seja ótimo se a grana acontecer.
Enfim, em muito breve estará no ar o Criative-se ( www.criativesse.blogspot.com), espaço virtual onde eu e mais quatro profissionais liberais das áreas do Design Gráfico, Publicidade, Farmácia e Arquitetura, possamos ser mais do que experimentamos em nossas vidas profissionais. Ou seja, mentes criativas com espaço para produzir o que nos dá prazer e fazendo desse novo planeta um show-room colorido de nossas idéias e projetos nas áreas do design, fotografia, decoração, festas, drinks......e textos também, é claro. Uma palavra para tudo isso? Criative-se e será fácil entender e desejar
Bom...é sermpre tempo de ser mais feliz!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Verbo: Sentir. Tempo: Presente

Fui ao primeiro encontro do grupo de meditação. Na verdade, esse é o primeiro degrau de uma escada que vou encarar como um mote para 2009. Abrir espaço para o auto-conhecimento; oferecer-me a possibilidade de um olhar endógeno que me permita - quem sabe - desenvolver ou explorar mais o meu sexto-sentido: a consciência do que sou e do que realmente pertence ao meu tempo presente.
Como bem disse o mestre do grupo, passamos a maior parte de nossas vidas entre o passado e o futuro, pensando nas marcas das histórias que carregamos ou no que planejamos para o depois. Mas ao presente mesmo, ao nosso tempo real e às múltiplas possibilidades que ele oferece, somos sempre parcimoniosos.
Sentir é o verbo do nosso presente. Quando sentimos faz-se a ponte que nos traz para o tempo de hoje. É curioso pensar nisso porque sentir representa sempre um novo olhar sobre a vida, sobre os amores, as dores que temos e as formas, ferramentas que dispomos para fazê-las melhores. Reconhecer o caminho da dor é descobrir onde queima os pés e pensar livremente sobre como ser capaz de mudar de rumo.
Não quero mais gastar tantas horas do meu dia a revolver a lama em busca do anel que ali deixei se perder. No tempo presente posso sim ser o jardineiro de um jardim onde flores nascem e morrem, onde há tempo de floração e de seca, onde há cores e espinhos. Mas posso limpar sempre esse jardim, revolver a terra e, principalmente, retirar as ervas daninhas, as folhas secas., o que ficou para trás e não mais me pertence. Posso adubar, plantar de novo.
É isso...preciso da nova planta sempre; do ciclo vital que começa e se renova. Só eu posso ver e mudar a minha vida, só eu conheço verdadeiramente o ciclo da minha história.
Virar a página, com toda a sabedoria adquirida, é a grande vibe.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mantra do novo ano

Eu só quero ser feliz! Se existe mantra para repetir, e crer e construir no novo ano....é assim que quero que seja. E que venha do jeito que for: com dor ou prazer; atropelos ou delírios; tensão ou torpor. Porque ser feliz é sempre uma atitude revolucionária. Significa viver de olhos abertos para enxergar o que e para onde aponta aquele que sempre nos fala a verdade antes do crivo daquele que nos mente: nós mesmos.
Quero subverter minhas mais frequentes mentiras e reconhecer-me naquilo que é essencial, naquilo que me oferece o segundo fugaz da plenitude. Ser feliz é descrer da conquista efêmera, do estrelato vaidoso cujo palco nos faz personagens de comédia bufa. Porque os aplausos cegam e nos impedem o sutil e sereno trajeto sob a luz clarividente dos dias de sol. Ou de chuva fina.
Quero ser feliz para poder ver e inventar. Respirar para dentro e descobrir-me ou descubrir-me por fora. Criar o caminho onde meus passos tropeçam, mas não atropelam; onde ralo meus joelhos, mas sei da boa cura do sopro amoroso.
Quero ser feliz sem me importar com as conquistas, só com a vontade. À vontade. Quero ser feliz porque acredito e invisto no amor, inadvertido ou previsível; de risco ou com retorno garantido.
Quero a viagem, a procura, o encontro. Cavaleiro andante que ouve moinhos, lê estrelas e admira o mar.

domingo, 30 de novembro de 2008

A segunda palavra

O que não somos capazes de esquecer? Porque damos importância tão desmedida às palavras quando elas são apenas - e tantas vezes tão somente - uma forma de expressão e comunicação de seres tão erráticos como nós, humanos. A palavra é sim arma virulenta, doída, mas não letal. Sempre existe a possibilidade de uma segunda palavra, uma explicação, quem sabe o perdão. Já me senti tantas vezes profundamente atingida por palavras. Continuo me sentindo assim, mas das coisas que aprendemos com a vida - eu, pelo menos, aprendi - é que não posso me imobilizar por uma palavra cruel sem tentar retirar dela todo o veneno ou o antídoto que ali podem coexistir. Quero explicações, pergunto porquês, me submeto às argumentações, mas preciso sempre tentar. Explicar e me explicar. Ainda que não dê em nada, ainda que eu não resolva, que não me seja oferecido o benefício da explicação, que eu sofra por não me fazer entender ou perdoar, sempre quero a segunda palavra. Quero o lenitivo que me faz do lado de fora das histórias mal resolvidas. Aquelas das quais não podemos mais esquecer.
Estou novamente em fase pouco prolixa. Há quem diga que é o inferno astral dos capricornianos. Confesso que não me deixo tomar por essa teoria conspiratória dos astros, mas não tenho tido vontade de transformar observações e sentimentos em palavras. Quem sabe não as queira nem mesmo como veneno ou antídoto. Mas elas são sempre companheiras solidárias. Se escondem de mim quando não as vejo em sua expressão mais latente. Embora tantas vezes as chame e as use sem limite, exaustivamente.
Hoje, contudo, tive vontade de voltar ao blog e dizer do quanto me entristece ver pessoas a quem quero tão bem aprisionadas pela força de uma palavra mal colocada, uma frase perdida, errática, absolutamente humana. Não consigo compreender a impossibilidade do perdão. Não posso aceitar que não sejamos veículo de compreensão se temos o fantástico poder da segunda palavra.
Quero crer que nos cabe esse bem e esse uso. Pelo menos para que possamos dizer, ainda que para nós mesmos, que a tentativa foi feita.
Afinal, o que será que não podemos esquecer?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Noite de furacão

Sim...não acredito em meia vida, meio mergulho, meia entrega. Sou vento em noite de furacão. Derrubo telhas, arranco portas, levanto tampas de bueiro...até tropeço e caio tantas vezes. Mas é bom demais voar ao sabor do vento forte. Às vezes me assusto, tenho medo e vontade de me esconder entre frestas. Mas sei que ali não há lugar para mim. Quero muito da vida, preciso de gente, de espaço e de luz. Acredito em constelações e sonho com o vôo por sobre as estrelas. O combustível para essa viagem está também nas pessoas que arregimento para o trajeto. Gosto disso. De dividir olhares sobre o que vemos. Porque não há um saber maior sobre o saber de todos. Amo a idéia da conquista, mas sou muito melhor quando somo e divido. Entre todos.

( quer saber??? nem sempre dá certo; às vezes estou absolutamente decepcionada e descrente. ainda bem que dura pouco. e que logo volto ao meu norte desencanado e crédulo. ainda bem)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Invento histórias

Outro dia, respondendo a um desafio da Joice Worm, do blog O Pequeno Milagre, fiz um acróstico e postei como comentário. Gostei da experiência. Jamais tinha feito; sequer tinha pensado em fazê-lo. E mais curioso ainda é que o fiz instantaneamente, sem me preocupar com forma; apenas com a obrigatoriedade de iniciar as frases com as letras do meu nome. Incrível foi perceber - e por isso reproduzo o acróstico aqui e até conto essa história - que a primeira palavra que veio à minha cabeça e iniciada com o "v" foi "verdade". Dali imediatamente completei: verdade que invento histórias. Porque é isso mesmo que sou: uma contadora e criadora de histórias, que se confundem de tal forma comigo, com minha vida, sonhos e delírios, que não sei mais de quem falo quando penso; de quem penso quando escrevo. Verdade que invento histórias. Essa também.

Verdade que invento histórias
E minto que vejo o que mora em mim
Rio ao reler o que escrevo
Olhar incrédulo sobre o que vi
Nada, contudo, parece estranho
Infinitamente próximo e real
Chego a pensar que sonhei
A vida, Verônica , é surpresa também.

( O desafio era da Joice. Mas quem quiser sentir-se desafiado, aí está!!!)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Agora já era!!

Pronto...já era!!! Viramos adultos e tudo o que queremos é alguém que nos acuda, dissipe o que nos assusta, destrua o dragão que insiste em nos fustigar com labaredas incandescentes. Um super-herói indestrutível, a quem recorremos quando o trem por sobre a ponte insiste em tombar. Não importa se não verificamos os freios, se sequer conferimos a firmeza da ponte. Queremos que o mais forte ouça nossos apelos e venha em nosso auxílio.
Estamos todos boa parte de nossas vidas embaixo das mesas, escondidos das travessuras que fizemos, mas com os pés de fora. Qualquer um vê, mas brincamos de esconde-esconde e até nos convencemos de que o que passa em nossa cabeça é apenas o “making-off” da vida do vizinho.
Somos crianças vestidas de gente grande, de corpo avantajado e mente compulsoriamente madura. Não...não foi escolha, foi contingência.
E agora...já era!!! Não posso sentar na beira da calçada, chorar e chamar por minha mãe. Meus pensamentos antes delirantes viraram pensamentos pouco nobres. Quero sonhar e viver o sonho cotidianamente. Fazer da jabuticabeira meu quartel-general; da caixa de fósforos, um walkie-talkie poderoso; da bicicleta, minha nave “enterprise”.
Mas...já era!!! Estamos navegando em barquinhos de papel ao sabor do mar revolto. E os coletes salva-vidas furaram todos. Na ausência da fantástica escada que nos leva ao mundo maravilhoso de Alice, temos que vestir a capa da visibilidade e encarar. Com todas as encucações, pirações e devaneios que nos acompanham. Se isso significa olhar o espelho e não encontrar um mago a nos dizer de nossa incrível beleza e perfeição, que seja. Agora, meu irmão, já era!!!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um encontro sempre emblemático

Adoro mãos! Especialmente o toque de mãos! Não há gesto mais intenso, emblemático e revelador. Posso - e muitas vezes o faço - me jogar superficialmente em gestos de carinho ou mesmo automáticos como o beijo no rosto de alguém que encontro, um abraço fugidio, a mão no ombro, o afago efêmero. Mas quando minhas mãos se encontram com outras mãos - além, é claro, do aperto simbólico de apresentação formal - faz-se mágica. Lembro de João, meu filho, a beliscar-me a parte de cima das mãos e a fazer deste gesto a certeza da minha presença. Recordo Ana Luiza, minha pequena grande filhota, a repetir sempre: "Quero segurar a mão da mamãe!" Caminhos percorridos, ruas atravessadas, o símbolo da segurança expressa em afeto e troca cármica. A mão firme de Carlos, eternamente ao alcance das minhas. A mão frágil de minha mãe, a pedir e dividir.
Dos amigos de verdade, no tempo em que a verdade pode ser contada, conheço e reconheço as mãos. E as seguro e afago, desobstruindo o percurso de dias eventualmente difíceis, compartilhando o calor emanado nos dias de êxtase e prazer.
Minhas digitais estão espalhadas por aí, muito além dos registros oficiais expressos em RGs ou passaportes. E também estou repleta delas porque são as marcas que realmente importam ou que levo comigo, herança exposta que não cabe nem pode aprisionar-se em cofres secretos.
Gosto de mãos, gosto de gente, gosto de afeto e história. Tudo ao mesmo tempo. Agora

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Só sei

O pulo me cerca
E seca a cerca que cerquei em mim
Mas salto o cerco e me arranho
Arranco o rastro que rasga o rio,
rompendo ruas, risos, rusgas que percorri.
Cerco o muro que seca o pulo.
E salto...
Só sei do solo que sombreia,
só sei do sol,
só sei de mim.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Confrontos e conflitos

É verdade! Adoro um confronto. De idéias, de palavras, de emoções...Fora os momentos de silêncio ( que são poucos), nos demais gosto demais do debate, especialmente com os que pensam diferente, vivem a vida por outros caminhos que ainda não experimentei, que quebram minha métrica e me oferecem a possibilidade de um enfrentamento adrenalizante.
Isso nada tem a ver com conflito. A indisponibilidade de olhar por outro ângulo, as amarras cruéis às escolhas das quais não se tem nem mesmo certeza, a intepretação antolhada e reduzida de cada palavra, cada gesto, cada caminho escolhido, o desrespeito, o desamor, a descrença que impede a evolução e o crescimento....esses sim são fontes de conflito.
Não gosto de conflitos. Gosto demais do estado latente, daquela coisa que é viver respirando literalmente por todos os poros, faces, cantos, sinais, cores e equívocos de que somos compostos.
Tenho medo, sim. Insegurança, também. Recuos e avanços, muitas vezes. Reflexões imensas, quase sempre. E é bom logo avisar: gosto da vida intensa, do confronto, da adrenalina, mas discuto relação sempre. Sou DR até mesmo com os amigos.
Pensei em tudo isso hoje e depois de um longo tempo sem vontade de escrever ( no blog, é claro, porque tenho que fazê-lo, profissional e cotidianamente), vivendo alguns conflitos no trabalho, mas deliciosos confrontos, me sinto inteira pro fim de semana.
Nem acho que vai fazer sol no Rio, mas me sinto especialmente clara, diurna, de olhar e mente aguçados para ser o que sempre sou: uma errante otimista. Bom...nem tão errante assim.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Legítimo

Nessa tarde chuvosa de domingo leio o livro de crônicas da Martha Medeiros - Doidas e Santas - e em um dos textos ela lembra dos dias em que não estamos para festa. Tudo corre em seu ritmo normal, mas os fatos de sempre ou os novos, um acontecimento, um olhar, a força das palavras, a expectativa ou a ausência que elas nos trazem ganham uma dimensão que nos empurra para a tristeza. A isso Martha define como " um sentimento tão legítimo como a alegria". E lembra: "...que nos deixem quietos que quietude é armazenamento de força e sabedoria....daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta".
Me identifico muito com essa descrição. Porque hoje, agora, nesse minuto, me sinto triste e quero a quietude. Para pensar justamente no que me entristece, ainda que sabendo que amanhã carregarei comigo o viço da crença do novo dia. Como o cheiro do mar que quebra na praia nas manhãs sem sol. Gostoso, inspirador, quase um parto que traz consigo o sorriso dos que acompanham aquela chegada.
Porque quero pensar em chegada e esquecer as partidas. Porque quero ver minha mãe tão frágil e só pensar em compartilhar mais e mais de todo o tempo bom e rico que, juntas, me permitirão fazê-la acarinhada. Porque minha vida também está registrada naquela pequenina figura a lembrar de mim como quem cuida e roga. Como quem oferece e solicita. Como quem chega e parte.
Minha mãe... meus filhos...hoje só quero tê-los todos no meu colo e ninar com a mais harmoniosa cantiga. E dizer de amor e falar de doce e canção; e lembrar de versos e bolas de gás; de amarelinha e purê de batata. Das noites de natal e velas de aniversário.
É só uma melancolia episódica que me faz lembrar do quanto a finitude me angustia.

Amanhã, mesmo que o sol não brilhe no céu, vou fazê-lo brilhante aos meus olhos míopes.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O jogo do risco

Outro dia, durante a minha aula de espanhol, o professor me perguntou: “?Tu eres afortunada?” Respondi que sim. Claro que sou. Não o tempo todo, mas até acho que na maior parte do tempo em que me é dado tempo para pensar nisso. Porque a pressão do ser feliz é fardo também. Sei que fui e sou, mas muitas vezes não fui e não sou. Pelo menos se interpretar tudo isso à luz do delirante mundo do "home sweet home" ou do “para sempre”.
É preciso ter coragem para não ser feliz. E audácia, ousadia, desprendimento. Não quero me amedrontar diante da dor porque ela é fermento e razão para o meu crescimento. Fui infeliz hoje em vários momentos. Mas um sorriso me fez muito feliz. Sem romantismos idílicos. Apenas sentimento. Me impressiona um pouco o medo do risco apenas pelo risco da dor que isso me trará.

Se o risco é inerente ao jogo, quero jogar e me jogar por inteira. Se o joelho ralar, se a lágrima escorrer, se a chuva cair, se a noite chegar...que seja bem-vinda. Porque no dia seguinte vou jogar novamente. Quem quiser que entre no time...ou assista da arquibancada.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Algo que é divino

Dias de sol e céu azul são bençãos divinas. Me fazem um bem imenso. Parece que sou capaz de respirar o ar mais puro e com ele me purificar, eliminar as toxinas dos pensamentos tortos, destilar a fonte do devaneio momentâneo.
Se esse cenário ainda incluir o mar,...só para olhar, só para sentir o cheiro, só para ouvir o barulho das ondas...aí sim posso dizer do reconhecimento de Deus na minha vida.
Li uma crônica da Marta Medeiros falando sobre a forma como ela entende a presença de Deus em sua vida. Enquanto lia pensei sobre o meu conforto d´alma quando diante de momentos de delicioso prazer - segundos, às vezes - posso sentir-me próxima da idéia de um olhar afetuoso e divino sobre mim.
Já falei aqui no blog sobre encantamento. E acho mesmo que essa alegoria do encanto mágico me faz compreender ou tornar palpável essa relação com a energia divina, absolutamente fraterna e generosa. Vivo isso nos momentos em que as manifestações de amor me cercam, que os filhos me enternecem, que a bondade intrínseca de alguém me entusiasma, que a palavra serena é a gota que falta para adoçar a dor, que o sol e o céu azul brilham na minha vida.
Acho que reconheço Deus nesses momentos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Interlúdio

Nem toco nas paredes.
Me esgueiro entre os corredores e as palavras,
entre os gestos e os olhares.
Qualquer centelha pode fazer fogo.

Nem quero me ferir.
Me escondo atrás da porta,
entre bolsas e sapatos em desuso.
Falo pouco, lembro menos.

Qualquer movimento pode acelerar o tempo.
Um tempo em que eu não era criança
e nem podia temer o vindouro.

Piso devagar, nem faço barulho.
Adio a vida, o toque, o susto, o riso e a dor.
Ninguém me percebe atravessando a rua.

Esperto disfarce de fada, maga ladina a brincar de esconde.
Lá na frente é hora do banho, do sono.
Talvez eu nem durma.
E então abra os olhos

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Minhas teorias sobre amor e encantamento

Das coisas que ouvi ontem, uma das que mais me fez pensar foi sobre o desafio que proponho da permanência do encantamento. Gosto mesmo de manter as relações pessoais no limiar gostoso da sedução porque isso faz bem para mim, me alimenta, exercita minha capacidade de conquistar e, principalmente, de fazer a manutenção dessa conquista. Parece cartersiano demais, não é? E até ouvi isso ontem também. Tenho um lado bem prático, que não raras vezes organiza o pensamento e até mesmo as emoções na direção de objetivos definidos. É claro que tudo é um jogo, que pode dar certo ou não, que posso vencer ou não e que sobre o qual é sempre possível a mudança de ritmo ou de direção. Mas do encantamento não posso abrir mão. Gosto demais desse estado latente que aquece minh´alma, aguça meus sentidos, estimula minha criatividade emocional na busca da percepção do outro sobre o meu encantamento ou, o que é melhor ainda, no envolvimento do outro nessa saborosa viagem da sintonia e do amor.
Não sei se os que me lêem acham tudo isso meio louco ou se, ao contrário, vão comigo concordar. Somos todos marionetes e manipuladores. E nem vejo nisso nada tão cruel. Na verdade, não gosto de viver histórias ou relações sobre as quais não tenho nenhum controle. Posso até perder um pouco as rédeas pelo caminho, quem sabe afrouxá-las ao sabor da deliciosa viagem, e até experimentar o fato de que minhas mãos não são tão fortes ou capazes de conter a fúria boa desse encantamento. Mas, sim, gosto de segurar a cordinha. Os que me descobrem e que por mim se encantam vão logo saber que também podem puxá-la, porque eu deixo, porque eu quero, porque eu gosto. Não há usurpação no amor de verdade. Só encantamento.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Personagens

Já fui tantas pessoas por aqui e todas se fizeram voz através de minhas letras. Bem ou mal escritas, todas tiveram vez. Não sou cruel com elas, personagens que carrego e que vão se revezando em eventuais apresentações. Seja em circo mambembe do interior ou na gala grandiosa do imponente teatro. Sou tudo isso e é nesse grande mix de egos e almas que construo minha história.
Minha personagem de hoje perdeu-se de suas certezas e afundou na movediça areia da dúvida. Galhos e cordas cercam-me de oportunidades, mas dói pensar que tenho que escolher uma delas. Não queria decidir, apenas apontar. E somente a luz desse dedo mágico já iluminaria o cristalino caminho do que é melhor para mim.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Reconstruindo

Alguns acontecimentos me vulnerabilizam de forma tão preciosa que me sinto tentada a discuti-los incessantemente até que a zona do conforto novamente me permita o olhar racional. Gosto da idéia do encantamento e ainda que racionalize minhas emoções, não há nada mais prazeroso do que a harmonia eventualmente expressa entre o que sonhamos e o que vemos sonhar nos olhos dos que nos cercam. Penso sempre que isso vale para todas as nossas formas e expressões de amor, das íntimas às fraternais.
Já disse em algum post aí prá baixo do quanto me permito a idéia de que posso mudar o mundo, de que sou artífice da grande aventura de transformar, a mim e aos que me cercam. Não necessariamente para melhor, embora o objetivo - ainda que tortuoso - seja sempre esse. Mas nessa cruzada nada bíblica, as tormentas são infindas; as conquistas, gloriosas; e as decepções, nas raras vezes, épicas. Porque no meu sonho e na minha "vibe", muitos embarcam, mas também saltam antes do ponto final.
Esse é só o relato de uma decepção pessoal, expressa num acontecimento do meu cotidiano profissional e que, sem dúvida, me vulnerabilizou além do que posso, momentaneamente, compreender. Me sinto ingenuamente traída em propósitos sobre os quais só tenho o olhar nobre. Talvez o equívoco seja esse: preciso reconhecer que ao largo de meus sonhos estão os delírios; que eles talvez sejam apenas expressões do espírito humano errático; que faço parte desse mundo de desvios e falhas também; que se não tenho - e não tenho mesmo - o desejo alienante de formar um exército de iguais, as diferenças, surpresas e decepções fazem parte do jogo.
Não sou tão boazinha assim a ponto de engolir fácil as sensações de injustiça ou manipulação que experimento. Muito pelo contrário. E falar disso por aqui também me oferece a aspirina sanativa do desabafo. Não sou melhor e nem pior que ninguém. Não perder esse foco, essa ótica, certamente me ajudará na percepção de que nem sempre escolhemos o nosso caminho, mas podemos reconstrui-lo sempre. Acredito nisso. E hoje começo, mais uma vez, a reconstrução.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lúcida, enfim!

Hoje acordei com a sensação de que dormi, fui abduzida e retornei com a clareza dos sábios. Nem sei se os que me lêem já viveram situação semelhante, mas não é incomum que comigo ocorra. Quando o buraco parece imenso e profundo, e a lama recobre minha alma e o corpo físico, um extraterrestre cristão e salvador me faz dormir e a abdução desperta-me absolutamente poderosa.
Lucidez. Essa é a palavra de hoje. Sinto-me de olhos abertos e acurados em direção aos múltiplos caminhos que se agigantam na minha frente. E essa sensação me é tão cara! Gosto de estar, ainda que movida pela emoção, racionalmente equilibrada, com o olhar agudo e amplo sobre os fatos e suas - ou minhas - dificuldades.
A lucidez me traz equilíbrio, ousadia na medida potencialmente certa, segurança diante do risco. É estrada que não conheço, mas domino. É poder. No substantivo, no adjetivo e no verbo. Conjugado em todos os modos e tempos.
Clareza e clarividência. Retiradas as interpretações esotéricas, é como se pudesse olhar o campo de batalha tal qual o general estrategista. Bem longe do front.
Hoje descobri - e talvez seja só hoje - como mexer as peças, transferir os exércitos, conquistar entradas e bandeiras, descobrir saídas secretas, desvendar os anagramas indecifráveis.
Deliciosa sensação que me fortalece, que me devolve ao Shangri-lá - efêmero que seja - dos dias de sol e céu azul. Até faço graça, sem contar os bons negócios que a clareza - generosa e sem restrição à ação capitalista - me proporciona.
Estou leve e criativa. Nem preciso traduzir esse bem em textos, mas as palavras e as vastas emoções fraseiam meu caminho. E me fazem melhor. Muito melhor.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Prá respirar

Sei que fugi de mim, de alguém que me surpreende e seduz, que me assusta e atrai, que me escraviza e liberta.
Sei onde estou escondida. As frestas e vielas permanecem violáveis, fugidias e fingidas, a expor a face que não mais se traveste. Mas fugi de mim, de alguém que me impõe a revolução, que atravessa as estradas e ignora o tráfego, que subverte a ordem e vai às ruas.
Barricadas incendiárias. Nem mais sei quem sou, mas ainda me trago à tona pra respirar, e me acalmar, me enganar, me perdoar. Nem tento explicar, nem quero. Fecho os olhos e os coquetéis molotov cruzam meus céus tal qual as traçantes balas da madrugada carioca.
Mas corro e escondo essa face que corrompe minha caminhada tranquila, que me impõe o trajeto tortuoso, entre pedras e declives. Sei que fugi de mim....mas já me entreguei há algum tempo.
Fui abduzida pelo encantamento e minha resistência goteja. Volto a pensar na imagem metaforizada que já não me abandona mais: o que posso fazer para conter esse mar?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Tempo de moinhos

Quero lembrar de um tempo
entre o sim e o talvez,
onde construíamos castelos,
escutávamos moinhos,
plantávamos na terra
o verde inquietante.

Quero falar de um sonho
que criei com lucidez e delírio,
atropelando os designíos
em verbos e frases sem métrica.

Quero ver novamente teu sorriso,
nunca demasiado, sempre intenso,
a dizer-me de um tempo
entre o hoje e o amanhã.

Porque sempre é tempo..............não é mesmo?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ilações sobre o amor

Das várias ilações sobre o amor, gosto daquela que diz que nos apaixonamos pelo que reconhecemos de nós mesmos no outro. Talvez em doses mais equilibradas, talvez não. Mas é delicioso estar em sintonia de prazer e admiração com a resposta que vemos, com o olhar apenas e nem sempre com os ouvidos, no objeto de nossa paixão.
Curioso é perceber - e hoje vivi essa experiência - o quanto me fere e frustra ver - literalmente -ou reconhecer no outro o reflexo do que abomino em mim. Como as reações destrambelhadas e intempestivas, a ausência da razão, a agressividade desmedida, a mágoa revivida. Esse sentimento realmente me fere, me frustra, me faz reconhecer uma face que não me atrai ou apaixona.
O amor nos permite a interferência? A sacudidela emocional que leva o outro - ou a nós mesmos - de volta aos trilhos? A argumentação equilibrada quando os mares são de tempestade?
O amor nos permite dar feições eventualmente tragicômicas aos acontecimentos que rompem a métrica perfeita da paixão? Na verdade, acho que sim. Porque somos seres erráticos em busca de finais felizes, das paixões intermináveis, da profunda sintonia que preenche nosso corpo e alma. Sei do delírio de minhas blogueiras palavras mas, tal qual os poetas, sofro os sonhos e sonho o sofrimento.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Só porque experimentei....

Gosto de pensar em lugares para os quais desejo voltar sempre. Gosto de pensar em emoções que experimentei e que sempre penso retomar. Curioso como esse gostar nunca mais é igual, por mais prazer que ele te cause.
Tem lugares que conheci na vida e para os quais retornar é sempre um objetivo. Para alguns deles já retornei várias vezes e sempre relembrei, em outras cores e com outro olhar, o impacto que me causam. Sou carioca e não tem uma vez que atravesse o Túnel Rebouças e que não me tome do sentimento de êxtase que a visão da Lagoa Rodrigo de Freitas, descortinando-se aos meus olhos, me traz.
Amo voltar a Porto de Galinhas e embora a veja cada vez mais cidade grande, mais urbana, mais cheia de gente e lojas, sinto-me encantada diante daquele marzão absurdamente azul, em especial quando estamos próximos do meio dia. Voltaria a Paris todos os anos e ficaria novamente embasbacada diante da Champs-Élysées com o Arco do Triunfo ao fundo. Me sinto - essa é a verdade - premiada, como se desfrutar daquilo tudo fosse uma benção que me foi oferecida.
Adoro o clima praiano, simplório e, ao mesmo tempo, cosmopolita do norte da Espanha, especialmente da região da Galícia, onde meu pai vive. Tenho sempre a doce lembrança de estar sentada em um dos muitos bares da beira mar de Sanxenxo, uma cidadela absolutamente atraente.
Não abro mão nunca de um fim de tarde a caminho do Arpoador. E de um bom papo, de amigos, de bons vinhos e do ócio também. São sempre retratos dos meus momentos especiais, que retomo mas sempre experimento de forma diferente.
Pensei nisso hoje porque tenho experimentado deliciosas sensações de prazer com meus filhos. Prazer que já não mais se expressa apenas no doce e generoso carinho que trocamos, mas especialmente nos momentos em que os vejo felizes. Indescritível sensação. E por mais que esse sentimento também se revele de formas e dimensões diferentes, é bom demais.
Me sinto feliz e plena. E aí é inevitável: lembro de Paris, da Galícia, de Porto de Galinhas e do pôr-do-sol no Arpoador.