sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Minhas teorias sobre amor e encantamento

Das coisas que ouvi ontem, uma das que mais me fez pensar foi sobre o desafio que proponho da permanência do encantamento. Gosto mesmo de manter as relações pessoais no limiar gostoso da sedução porque isso faz bem para mim, me alimenta, exercita minha capacidade de conquistar e, principalmente, de fazer a manutenção dessa conquista. Parece cartersiano demais, não é? E até ouvi isso ontem também. Tenho um lado bem prático, que não raras vezes organiza o pensamento e até mesmo as emoções na direção de objetivos definidos. É claro que tudo é um jogo, que pode dar certo ou não, que posso vencer ou não e que sobre o qual é sempre possível a mudança de ritmo ou de direção. Mas do encantamento não posso abrir mão. Gosto demais desse estado latente que aquece minh´alma, aguça meus sentidos, estimula minha criatividade emocional na busca da percepção do outro sobre o meu encantamento ou, o que é melhor ainda, no envolvimento do outro nessa saborosa viagem da sintonia e do amor.
Não sei se os que me lêem acham tudo isso meio louco ou se, ao contrário, vão comigo concordar. Somos todos marionetes e manipuladores. E nem vejo nisso nada tão cruel. Na verdade, não gosto de viver histórias ou relações sobre as quais não tenho nenhum controle. Posso até perder um pouco as rédeas pelo caminho, quem sabe afrouxá-las ao sabor da deliciosa viagem, e até experimentar o fato de que minhas mãos não são tão fortes ou capazes de conter a fúria boa desse encantamento. Mas, sim, gosto de segurar a cordinha. Os que me descobrem e que por mim se encantam vão logo saber que também podem puxá-la, porque eu deixo, porque eu quero, porque eu gosto. Não há usurpação no amor de verdade. Só encantamento.

14 comentários:

Estrela disse...

"assim que sou"...Algumas vezes ouvi de alguém esta frase em reposta aos encantos que este alguém exerce sobre mim. Esta foi a razão principal para eu ler teu post.
A outra razão foi o tema do post em si. Concordo. Há que se ser condutor, guia, rédeas e animal desenfreado no amor e na sedução.
É preciso ser tudo e ser nada, ou um fingindo ser o outro.
Um abraço!

Penso e Sinto disse...

Para mim da conquista constante, depende a manutenção do encantamento. A dedicação misturada com todo carinho, atenção às necessidades do outro e superação/compreensão das diferenças é um grande aditivo para qualquer relação...
Estou apreendendo muito com você...Adoro isso tudo!! Mil beijos

Luiz Felipe Leal disse...

fúria ótima.
"Nem sempre perfeitos, nem sempre bons, mas sempre intensos."
isso, no meu caso, sempre me justifica, se continuar me acompanhando vai ver que sim.

viver não é indolor.
sou mais marionete.
pena.

abraços.

Aline Ahmad disse...

Quando as palavras constroem imagens é porque a qualidade mora no texto.
Parabéns!
Beijos de luz,
Aline***

Clecia disse...

Interessante post e muito interessante a sua teoria! :) Bjos e um ótimo fim de semana!

Dois Rios disse...

Oi, Verônica!

De fato há que ser encantador e fazer-se encantar. Não há como sobreviver a uma relação em que um dos parceiros considera o jogo ganho.

Nenhum amor sobrevive sem alimentar-se de sedução, encantamento e troca.

Se a métrica do amor for apenas o "cada um tira o que deseja", basta um dos dois não poder oferecer algo e o encanto acaba.

Grata pela sua visita.

Um beijo,
Inês

"O Autor", disse...

Sim, acho louco! ^^

Monique Frebell disse...

Prefiro estar com a cordinha na mão tbm. Ter o controle da situação e não me submeter a ninguém, só ao amor... e isso basta pra mim!

Bjs!

Carol disse...

Obrigada pela visita ao meu blog!
Depois venho pra te visitar com mais calma!
Bjos, bjos!

Claudia disse...

O encantamento é algo inerente ao ser humano, ao mundo, ao universo enfim. Se não nos encantamos é porque o coração não foi alcançado. Encantam-me tantas coisas... Ser mãe, poder ajudar o próximo, receber ajuda, ter amigos como você, com quem essa relação de auxílio funciona em duas mãos. Encanta-me estar viva e conhecer o mundo pela perspectiva de pessoas que fazem parte da minha vida, que fazem parte de mim, completando-me em minhas carências e no meu desejo de crescer SEMPRE.
¡Besos, amiga mía!
Claudia

Jane Castelo Branco disse...

Demora um tempo até que compreendamos que as coisas essenciais são apenas aquelas que não morrem. Nesse dia, quando esse entendimento nos atinge, a gente percebe que a maior parte de nossa existência é feita de coisas que não são, pois não deixam raízes de vida em nós.

Quanta gente vem e passa pela nossa vida e enquanto estavam presentes, tinha-se a impressão que sem elas não se poderia mais viver.
Uma vez idas, com o passar do tempo, vê-se que elas não eram eternas em nós.
O essencial é apenas aquilo que é feito de imorredouro amor.

Em geral o amor essencial faz com que as pessoas assim significadas em nós fiquem em nós.
No entanto, acontece também que as coisas e significados essenciais não fiquem do nosso lado — você bem sabe de quem falo.
Nesse caso, a alma tem apenas duas alternativas: ou sofre a ausência do essencial e se amargura ante sua ausência; ou, então, aprende a vencer o sentimento de posse e, assim, abraça o essencial com o abraço de quem deixa livre, e apenas se satisfaz com o privilégio de conhecer significados essenciais.

O verdadeiro amor transcende a necessidade de reciprocidade. “O amor jamais acaba” apenas quando ele deixa de ser amor-posse e se converte em dádiva, em graça, em fidelidade ao próprio coração. Do contrário, se o amor é condicionado a alguma forma de compensação, ele é eterno apenas enquanto dura a “negociação afetiva”.

A diferença entre o amor que “é eterno enquanto dura” e “o amor que jamais acaba”, é que o primeiro se estabelece como negociação e compensação, e o segundo se satisfaz em apenas ser.

Felicidade é poder viver o amor que é eterno com o viço do amor que é eterno enquanto dura. Nesse caso, a compensação de tal amor é dar e o ato de receber não é uma expectativa, mas sim uma dádiva que se acolhe.

Aqui escrevo com muita saudade de alguém que um dia se foi, mas nunca partiu!
Eu gosto é de amar, eu gosto é de lembrar tudo o que é amor, eu gosto é de lamber a verdade de tudo aquilo que em mim é amor!

Junkie careta disse...

Não foi Nelson Rodrigues Quem disse Que "sem paixão e encantamento, não sei chupar um chicabon"?
Confesso que ainda não amarrei esses conceitos, essas fronteiras que separam amor, paixão, encantamento. Ainda estão em construção. Não sei se algum dia vou conseguir diferenciá-los, sequer sei se desejo aprender isso. Só sei que sem essa sensação de "estar pra fora de sí" como disse outro gênio, é muito difícil uma relação funcionar.

Grande abraço

Camilla Tebet disse...

É isso, é essa a palavra: encantamento. Até uma parte do texto eu estava pensando que vc é uma controladora assumida. Nada! Deixa os outros puxarem a cordinha do teatro, que todos nós fazemos juntos. E se é pra manter o encantamento, está valendo. De que adianta nu e cru se o amor é doce e bem figurado...
Adorei.
Bjos

Bill Stein Husenbar disse...

Interessante.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/