domingo, 30 de novembro de 2008

A segunda palavra

O que não somos capazes de esquecer? Porque damos importância tão desmedida às palavras quando elas são apenas - e tantas vezes tão somente - uma forma de expressão e comunicação de seres tão erráticos como nós, humanos. A palavra é sim arma virulenta, doída, mas não letal. Sempre existe a possibilidade de uma segunda palavra, uma explicação, quem sabe o perdão. Já me senti tantas vezes profundamente atingida por palavras. Continuo me sentindo assim, mas das coisas que aprendemos com a vida - eu, pelo menos, aprendi - é que não posso me imobilizar por uma palavra cruel sem tentar retirar dela todo o veneno ou o antídoto que ali podem coexistir. Quero explicações, pergunto porquês, me submeto às argumentações, mas preciso sempre tentar. Explicar e me explicar. Ainda que não dê em nada, ainda que eu não resolva, que não me seja oferecido o benefício da explicação, que eu sofra por não me fazer entender ou perdoar, sempre quero a segunda palavra. Quero o lenitivo que me faz do lado de fora das histórias mal resolvidas. Aquelas das quais não podemos mais esquecer.
Estou novamente em fase pouco prolixa. Há quem diga que é o inferno astral dos capricornianos. Confesso que não me deixo tomar por essa teoria conspiratória dos astros, mas não tenho tido vontade de transformar observações e sentimentos em palavras. Quem sabe não as queira nem mesmo como veneno ou antídoto. Mas elas são sempre companheiras solidárias. Se escondem de mim quando não as vejo em sua expressão mais latente. Embora tantas vezes as chame e as use sem limite, exaustivamente.
Hoje, contudo, tive vontade de voltar ao blog e dizer do quanto me entristece ver pessoas a quem quero tão bem aprisionadas pela força de uma palavra mal colocada, uma frase perdida, errática, absolutamente humana. Não consigo compreender a impossibilidade do perdão. Não posso aceitar que não sejamos veículo de compreensão se temos o fantástico poder da segunda palavra.
Quero crer que nos cabe esse bem e esse uso. Pelo menos para que possamos dizer, ainda que para nós mesmos, que a tentativa foi feita.
Afinal, o que será que não podemos esquecer?

19 comentários:

Janaina Amado disse...

Que bom, Verônica, que você voltou. Escreva sempre, gosto dos seus textos. Vou linkar seu blog no enredosetramas.
Eu tinha muita dificuldade em perdoar. Estou aprendendo. Sinto que é o maior, mais importante aprendizado que estou fazendo, este do perdão.
Beijo.

Penso e Sinto disse...

Perdoar, para mim, significa: aceitar,compreender, olhar o outro como ele é com defeitos e qualidades. Não somos capazes muitas vezes de perdoar a nós mesmos, imagine a cobrança sobre o outro.
Palavras solta ao vento, sempre as interpretamos sob o nosso ponto de vista e acabou, o nosso mundo é egoísta e antolhado. Queria dizer, bjs

Marcelo Martins disse...

realmente muitas vezes damos valor demais à coias que não tem tanta importância.
Mas iso está intrinsecamente ligado ao nosso estado de espírito atual.
Às vezes, dependendo de como estamos emocionalmente, um simples "não" nos arrasa, outras vezes nem o ouvimos...
Eu nunca esqueço do que me dizem, isso me ferindo ou não, mas reconheço em mim uma enorme capacidade de perdoar.
Adinal de contas em 100 anos todos estaremos morto, então que vivamos a vida com mais leveza e desprendimento, não acha?

Beijos

•.¸¸.ஐBruneLLa Wyvern disse...

Ah Verônica, difícil especificar o que podemos e o que não podemos esquecer. Tudo o que vivemos, nos marca de alguma maneira. ENtão, acho que podemos esquecer só aquilo que não aconteceu, porque o que já houve está marcado em nós!
Beijos e borboleteios

Véu de Maya disse...

Amei a tua reflesão...as palavras são cristais mas as pesssoas são diamantes...e os sabios entendem bem isso...escutam mais do que falam..e quando falam até o silêncio os escuta...
uma linda noite pra ti..e obrigado por me visitares.

Tiago Soarez disse...

VERÔNICA,

VOCÊ VOLTOU, EU TBM VOLTEI! FICO CONTENTE QUE ESTAMOS NOVAMENTE AQUI!

ESTOU COM SAUDADE DE LER SEUS TEXTOS, MAS A FALTA DE TEMPO TEM FALADO MAIS ALTO, POR ISSO SÓ CONSEGUI LER ESTE.

PERDOAR É ALGO QUE EU SEMPRE FIZ. MUITAS VEZES ATÉ DE UMA FORMA INCONSCIENTE. QUANDO VEJO, JÁ PERDOEI. COSTUMO DIZER E ACHAR QUE MEU MAIOR DEFEITO/QUALIDADE É A MINHA INCRÍVEL CAPACIDADE DE PERDOAR!

BEIJOS!

Juliana David disse...

Olá Verônica!!!

Quanto ao amigo em comum, ele é muito especial para mim realmente e com certeza quero te conhecer pessoalmente. É só nosso amigo marcar, será um prazer.

Agora, quanto às palavras concordo que dependendo da situação elas possuem um maior significado. Contudo, acho que tudo depende de como elas são entonadas, com que sentimento são emitidas, e de que forma são traduzidas por quem ouve e recebe a mensagem . Ou seja, uma mesma palavra entonada de várias maneiras, acompanhada de uma expressão facial significativa pode ser interpretada de várias formas. Considerando, que temos a visão humana que é diferente para cada indivíduo, a qual dá um toque de exclusividade interpretativa da realidade. Desta forma, somando todos esses fatores descritos temos a complexa receita do agredir ou acariciar com as palavras. E pessoalmente, acho que a humanidade inteira sofre desse mal descrito em suas belas palavras.
E quanto a capacidade de perdoar, acho que aumenta a cada momento que o indivíduo percebe que o outro pode estar transtornado, mas não causou nada para que o estado do outro chegasse àquele ponto. Ou, simplesmente pelo fato de entender que as pessoas pensam e sentem de formas diferentes, portanto terão reações diferentes para qualquer tipo de situação. Podendo assim, entender que a reação do outro pode ser diferente da sua e que provavelmente seja uma reação que você não aprova, mas compreende, por isso perdoa. Beijos.

Ju

Quase Trinta disse...

"palavras, apenas palavras"
Com elas podemos dizer te amo e te odeio.
Alegrar o dia de alguém ou ferir com sentimento de morte com simples palavras.
Mas nem todos tem a maturidade que vc descreve tão bem de não levar as palavras ouvidas a ferro e fogo, e deixam elas criarem raizes de amargura no coração.
Falta sabedoria tanto de quem fala o que quer e tanto de quem ouve.
Não devemos levar a vida tão a sério!

beijos

João Francisco Viégas disse...

Quantas vezes mesmo?
7x70?
Nossa, é muito perdão!
Alguns nascem com esse dom do perdão, outros, como eu, tem que aprender com a vida. Mas quem é 'vivo' sempre aprende!
Já disse disse William que "Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra"

AJA - Aliança dos Jovens Águias disse...

A partir do momento que você libera perdão, todas as outras coisas boas são liberadas para você também. Você abre portas através desse gesto.

Bjinhus

Sei que existes disse...

É verdade que as palavras têm um impacto muito forte, tão forte que chega a ser maior que a expressão fisica ou comportamentos...
Beijo grande

Dois Rios disse...

Verônica,

Eu diria que perdôo mas não esqueço, ainda que não guarde rancor. A força da segunda palavra sempre me demove de maus sentimentos.

Beijos, minha linda!

Inês

Marina disse...

Qual o poder das palavras? Creio que mais do que ela significa, devemos considerar a maneira como ela é dita. Como, quando escrita, essa maneira se perde, terminamos vítima do que as pessoas quiserem interpretar. Palavras são poderosas, mas o perdão é mais. Todo mundo é capaz de perdoar, é só querer.

Engraçado que estava comentando com um amigo (e colega do blog Palavras de Papel) sobre exatamente isso, pro nosso blog, que trabalha em cima de palavras escritas. Lembrei dessa conversa agora.

Abraço, Verônica.

Camilla Tebet disse...

AS palavras tem uma força surpreendente. São sim nosso meio de comunicação mais ativo. E o que não podemos esquecer? Aquilo que doeu demais? Não sei.. as palavras marcam e ficar preso a elas às vezes é armadilha fácil de cair. Sou assim também. E hoje te descubro capricorniana como eu.
Um beijo com saudade de te ler.
Ando meio em greve.

Diego disse...

Tente a terceira palavra.

israel disse...

otimo texto moça...

tava com saudades de passar por aqui!

bjo!!

Lucia Laureano disse...

Adorei o movimento do blog.
bjs,

Juliana David disse...

Olá Verônica!!!

Palavras doidas,
Palavras sentidas,
Apenas palavras.

Sejam raras,
Sejam ralas,
Sejam ferventes,
Inconsequentes.

Mas existe a paixão,
Existe a afeição,
Existe o sol,
Entre os espinhos dos rosais.

Feliz 2009!!!

Vamos marcar de nos conhecer, OK?

Beijos.

Menina do Rio disse...

A palavra pode ser letal; fatal!
Imagine-a vindo sob as ordens de um General, um líder de guerrilha, um traficante, um lider religioso...

Um beijo