Na última semana, meu post no outro blog ( www.criativesse.blogspot.com) falava do aperto que me toma a alma quando a inspiração me foge e preciso fazer-me escrava não mais das palavras, mas da dor de não tê-las sob meu domínio. Uma amiga comentou que talvez aquele momento fugaz da não inspiração nada mais fosse do que a pausa para a expiração. Silenciosa e serena como a solidão, não raras vezes, se expressa.
Curiosamente, o tema da inspiração fugidia me cercou em dias seguidos. Não mais com os meus textos, os profissionais, emocionais ou confessionais, mas com os textos que li, dos autores que gosto, dos blogs que frequento e admiro. Revi essa angústia nos textos do Marcelo Martins, do Amenidades, a quem admiro pelo relato, pela forma, pelo conteúdo; nas palavras complexas e tocantes da Camila Tebet, do Esse Papo Também; na coluna semanal da Martha Medeiros na
Revista O Globo, no domingo, leitura que não perco e que preenche minhas manhãs cheirando a café; e também em alguns saborosos trechos do imperdível A Soma dos Dias, de Isabel Allende, alma repleta da sabedoria de viver, pungente e bem-humorada, as dores que as pedras impõem ao nosso caminho.
Pensei na coincidência, mas especialmente na argumentação de minha amiga. Estamos todos expirando? Renovando os ares, limpando os canos, abrindo os chacras, desimpedindo as chaminés? É bom pensar que sim. Esses períodos sabáticos sempre me são pródigos, mesmo quando me sinto afogar pelas palavras. Nessas horas respiro devagarzinho, poupo os órgãos, os gestos grandiloquentes. Nem sempre é tempo dos grandes e profundos mergulhos. Quem sabe uma molhadinha rápida na beira d'água; quem sabe um subida fugaz para pegar um ar.
Somos escravos da palavra, mas feitores também. A gente sempre coloca tudo em ordem. Seja a ordem do jeito que for.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
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