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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Prá respirar

Sei que fugi de mim, de alguém que me surpreende e seduz, que me assusta e atrai, que me escraviza e liberta.
Sei onde estou escondida. As frestas e vielas permanecem violáveis, fugidias e fingidas, a expor a face que não mais se traveste. Mas fugi de mim, de alguém que me impõe a revolução, que atravessa as estradas e ignora o tráfego, que subverte a ordem e vai às ruas.
Barricadas incendiárias. Nem mais sei quem sou, mas ainda me trago à tona pra respirar, e me acalmar, me enganar, me perdoar. Nem tento explicar, nem quero. Fecho os olhos e os coquetéis molotov cruzam meus céus tal qual as traçantes balas da madrugada carioca.
Mas corro e escondo essa face que corrompe minha caminhada tranquila, que me impõe o trajeto tortuoso, entre pedras e declives. Sei que fugi de mim....mas já me entreguei há algum tempo.
Fui abduzida pelo encantamento e minha resistência goteja. Volto a pensar na imagem metaforizada que já não me abandona mais: o que posso fazer para conter esse mar?