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terça-feira, 3 de junho de 2008

A alma adolescente que ainda mora em mim

Algum resquício da alma da adolescente que fui permanece em mim. Nem toda a maturidade e experiência impedem que, eventualmente, a limitação maniqueísta dos que acham que têm toda a verdade do mundo me tome de assalto. E aí, irrefletidamente, divido o mundo entre os bons e os maus. E, é claro, estou sempre do lado dos bons. E olhe que nem sou tão boazinha assim. Mas sempre acho que estou repleta das razões que justificam minhas atitudes. E me enraiveço, tomo-me de um sentimento de indignação como se o mundo em minha volta não conseguisse ver o que, aos meus olhos nublados, parece óbvio: tenho razão, queria um mundo de seguidores a reconhecer em mim a grandeza dos filósofos e a lucidez serena dos monges.
Mas não sou nada disso. E, na verdade, não quero nada disso. Quero o equilíbrio, a serenidade possível, a tranquila observação de que o mundo está muito além da redução maniqueísta que só vê dois caminhos: ou a terra firme ou o precipício.
Quando acerto meu prumo, seguro meu timão e sigo meu caminho, o vejo sob a ótica da reflexão. Destemperos ocasionais, mas sempre mais ou menos dentro da estrada. Hoje quero muito ser capaz do exercício do silêncio. Me expor menos, especialmente na face mais tresloucada. Ficar com uma raiva ensandecida, que só me traz sentimentos de injustiça, me faz só. E sem a companhia do que tenho de mais caro a mim. Eu mesmo.