Bem-vindo e abominável tom professoral! Sou vítima ou dele me aproveito? Tenho convicção de que não tenho a pretensão de saber as verdades do mundo, os caminhos, as rotas e desvios. Mas devo vestir muito bem esse personagem porque a ele sempre retorno, seja pelo livre arbítrio, seja pelo arbítrio dos que assim me olham. Talvez deva desistir de imaginar que culpas não tenho. Sou eu mesmo que construo essa imagem, por vezes tão amiga, em outras, fontes de incômodo e desprazer.
Não... não é verdade que eu seja alguém que possa explicar tudo, ou ter sempre uma palavra equilibrada sobre tudo.Talvez deva me permitir não ter o que dizer, o descompromisso, o conforto dos que não sabem. Do que ter que, não raras vezes, conviver com o olhar dos que imaginam sofrer a censura dos meus pensamentos, a interrogação do meu olhar. Às vezes penso o quão bom seria não ser olhada assim. E quem sabe permitir aos outros entender que também preciso de um olhar professoral, que analisa e ensina, que argumenta e sugere, que pensa comigo sobre minhas dúvidas e incertezas.
Acho que me sinto cansada de ser alguém a quem não é dado o direito de vestir a fantasia dos que querem mais ouvir do que falar, dos que não se comprometem com opiniões sobre tudo, dos que podem ser frágeis sem surpreender ao mundo.
Queria não achar que tenho sempre algo importante a dizer. Queria minimizar ou redesenhar meus pensamentos para talvez ser querida pelo que sou por inteiro, e não pela parte mais "perfeita" ou "palatável". Sou mais do que a equilibrada, a racional, a certinha, a boa profissional, a boa mãe, a quem tem um casamento legal.
A sensação de que essa outra parte não é visível é muito ruim. Ou então a culpa é minha mesmo.
Mostrando postagens com marcador Argumento e sugestão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Argumento e sugestão. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 1 de abril de 2008
Assinar:
Comentários (Atom)
